brasilmozzie.com.br/perguntas-frequentes.html · Brazil Mozzie do Brasil Ltda · CNPJ 66.627.356/0001-68
Perguntas frequentes
As dúvidas estão separadas por quem pergunta. Se a sua não estiver aqui, fale com a nossa equipe técnica pela página de contato.
Para o morador
O mosquito solto no meu bairro pica?
Não. A soltura é de machos, separados dos demais dentro da biofábrica e conferidos a cada lote antes da liberação. O macho do Aedes aegypti não tem aparelho bucal capaz de perfurar a pele e se alimenta de açúcares de plantas, como o néctar. Ele não pica pessoas nem animais e não transmite dengue, zika, chikungunya, febre amarela nem qualquer outra doença que dependa da picada. A picada e a transmissão dependem da fêmea.
Vai ser aplicado algum produto químico na minha casa ou na minha rua?
Não. O programa não aplica inseticida, não faz pulverização e não deixa produto químico em quintais, imóveis ou ruas. Os machos liberados também não são organismos geneticamente modificados. A produção dos machos estéreis acontece inteiramente dentro da biofábrica, em ambiente controlado e sob protocolo de segurança. No dia da soltura, ninguém precisa sair de casa, fechar janelas, cobrir alimentos ou recolher roupa do varal.
Soltar mosquitos aumenta a quantidade de mosquitos no bairro?
É possível notar mais mosquitos voando nos dias seguintes a cada soltura, porque os machos liberados circulam pelo entorno do ponto de soltura. Esse aumento é temporário e restrito aos machos liberados, que não picam. As fêmeas que já vivem no território e acasalam com esses machos põem ovos que não eclodem, e a fêmea do Aedes aegypti, em regra, acasala uma única vez ao longo da vida. A cada ciclo de soltura, a população local de Aedes aegypti tende a diminuir. O método suprime a população a níveis baixos e não elimina o Aedes aegypti do território. As armadilhas têm função de monitoramento e medem essa variação ao longo do programa; elas não atuam na redução da população. Nas primeiras semanas, a contagem de ovos pode não cair de imediato; o primeiro efeito observado é a queda na proporção de ovos que chega a eclodir. Em Ortigueira, no Paraná, onde o método operou, a supressão da progênie viva do Aedes aegypti chegou a 98,7% e a incidência de dengue ficou 97% menor que nas cidades usadas como comparação, conforme resultado publicado. Esse resultado é da operação realizada naquele município; cada território tem condições próprias, e o programa não projeta a mesma magnitude em outro local.
Posso recusar a armadilha no meu imóvel?
Pode. A instalação depende da autorização de quem mora ou responde pelo imóvel, e a recusa é aceita no momento da visita, sem necessidade de justificativa. A recusa não gera prejuízo nenhum ao morador: não existe multa, não existe cobrança, nenhum serviço deixa de ser prestado e o imóvel não passa a constar como irregular em lugar algum. A equipe registra a resposta e segue para o próximo endereço, sem insistir. Imóvel fechado não é aberto pela equipe, e nada é instalado sem que alguém autorize. A rede de monitoramento é planejada com pontos alternativos, de modo que a recusa de um imóvel não inviabiliza a medição do bairro.
Autorizei a armadilha e mudei de ideia. Posso pedir a retirada?
Pode, a qualquer momento e sem necessidade de justificativa. O pedido pode ser feito à equipe em campo ou pelo canal do morador, na página de contato. O equipamento é retirado e o imóvel deixa de constar como ponto de monitoramento do programa. Se mais adiante o morador quiser autorizar novamente, a instalação pode ser refeita.
Como reconheço a equipe que aparece no meu portão?
A equipe de campo usa uniforme com a marca do programa e crachá de identificação com nome e foto, apresentados antes de qualquer conversa sobre o imóvel. A equipe não pede dinheiro, não vende produto e não solicita senha nem dado bancário. Se alguém procurar você sem identificação, não autorize a entrada e comunique pelo canal do morador, na página de contato.
Preciso pagar alguma coisa?
Não. O programa é contratado pela administração pública e nada é cobrado do morador em nenhuma etapa. Instalação de armadilha, leitura, retirada e visitas da equipe não têm custo para quem mora no território.
Preciso parar de eliminar água parada?
Não. O cuidado com recipientes que acumulam água segue necessário durante todo o programa e depois dele. O método atua sobre a reprodução do Aedes aegypti adulto e não retira criadouros; além disso, os ovos já postos resistem secos por meses na parede dos recipientes e eclodem quando a água volta. Eliminar criadouros reduz os locais onde a fêmea põe ovos e alcança também outras espécies que se criam em recipientes, como o Aedes albopictus e o Culex quinquefasciatus, sobre as quais este método não age. As orientações da vigilância do município permanecem integralmente válidas.
Isso é mosquito transgênico?
Não. Não há modificação genética. O mosquito é da própria região, criado em laboratório e esterilizado — o genoma da espécie não é alterado e nada é herdado pelas gerações seguintes.
Isso afeta abelhas ou outros animais?
O método age sobre a reprodução do Aedes aegypti por meio do acasalamento entre machos e fêmeas da própria espécie. Não envolve aplicação de produto no ambiente.
Vocês coletam algum dado sobre mim?
Não coletamos dado de saúde do morador. A operação registra dado entomológico e operacional: a localização de cada armadilha, o resultado das leituras do monitoramento e a identificação, em laboratório, das espécies presentes no material coletado, que informa se há Aedes aegypti ou outras espécies. Cada leitura fica registrada no ponto de armadilha em que foi feita, identificado pelo endereço ou pela coordenada de instalação. Diagnóstico, sintoma, resultado de exame e histórico de atendimento ficam fora do que registramos, e essa informação não é pedida em visita, em contato de campo nem em qualquer etapa do programa.
A notificação de caso de dengue é compulsória e cabe ao serviço ou ao profissional de saúde que atende o paciente. À vigilância epidemiológica municipal cabe receber, investigar e encerrar o caso e alimentar o sistema de informação, pelos fluxos próprios do sistema de saúde. Não participamos desse fluxo. Quando o programa é avaliado, o indicador epidemiológico utilizado é agregado, produzido pela vigilância municipal, sem identificação de pessoa. Nosso registro se limita ao dado entomológico e operacional.
Sobre o mosquito solto em campo
Do que o macho estéril se alimenta depois de solto?
De açúcares de origem vegetal. O macho de Aedes aegypti não se alimenta de sangue em nenhuma fase da vida: obtém energia de néctar, de exsudatos açucarados de plantas e de frutos maduros presentes no entorno. As peças bucais do macho não são adaptadas à perfuração da pele, e por isso ele não pica. Sem hematofagia, o macho não transmite dengue, zika, chikungunya ou febre amarela às pessoas; a competência vetorial da espécie está na fêmea.
Quanto tempo esse macho vive?
A literatura publicada sobre a bionomia do Aedes aegypti descreve, em ambiente urbano, sobrevivência do macho adulto na ordem de poucos dias a cerca de duas semanas, em geral inferior à da fêmea. Em laboratório, com temperatura, umidade e oferta de açúcar controladas, os valores registrados são maiores.
Os valores acima são faixas descritas na literatura e variam com temperatura, umidade, disponibilidade de abrigo e de fontes de açúcar e com as características do ambiente urbano de cada área. As estimativas de campo derivam de estudos de marcação, soltura e recaptura e de modelos de sobrevivência, e carregam a incerteza própria desses métodos.
Até que distância ele se desloca?
O deslocamento é curto. Estudos de marcação, soltura e recaptura em áreas urbanas descrevem distância média percorrida na ordem de dezenas de metros, com a maior parte dos indivíduos recapturada a menos de 100 metros do ponto de soltura e uma fração alcançando algumas centenas de metros. Parte dessas medidas foi obtida com fêmeas; os estudos de dispersão de machos são menos numerosos e descrevem ordem de grandeza semelhante. O Aedes aegypti tem hábito domiciliar e sinantrópico e permanece perto dos lugares onde encontra abrigo, açúcar e parceiros de acasalamento. Também aqui os valores vêm da literatura publicada e variam com a ocupação do território, a vegetação e as condições climáticas.
O que acontece com o grupo liberado ao longo do tempo?
O grupo liberado (a coorte) decai dia a dia por mortalidade natural, dentro das faixas de tempo de vida descritas acima, e ao fim de duas a três semanas a contribuição daquela soltura é residual. Como a esterilidade induzida impede a formação de prole viável, o acasalamento com o macho liberado não gera descendentes: a coorte se encerra com os próprios indivíduos, sem geração seguinte. Não há, portanto, acúmulo entre gerações. A presença de machos estéreis em campo se mantém pela sucessão das solturas em cadência, com sobreposição parcial entre coortes consecutivas.
A soltura aumenta os índices de infestação do município?
Não. Os índices de infestação usados pela vigilância, o Índice de Infestação Predial e o Índice de Breteau, apurados nos levantamentos de índices (LIRAa/LIA), são calculados a partir das formas imaturas encontradas nos recipientes dos imóveis. O macho não realiza oviposição, e a postura da fêmea que acasala com macho estéril não eclode, de modo que a soltura não acrescenta criadouro nem geração nova a esses indicadores.
Há duas ressalvas na leitura do monitoramento. Em armadilhas de adultos, machos liberados podem ser capturados: o material é triado por espécie e por sexo em laboratório, e o macho é contabilizado à parte, fora do indicador construído sobre fêmeas. Em ovitrampas contam-se ovos, e a postura de fêmeas acasaladas com machos estéreis também é depositada; nesse caso o efeito da soltura aparece na taxa de eclosão dos ovos coletados, enquanto a contagem bruta permanece semelhante. O método de coleta e o critério de triagem seguem o mesmo protocolo antes e durante as solturas, o que mantém a série comparável ao longo do tempo.
O monitoramento mede a população do vetor. A remoção de criadouros permanece a cargo da vigilância municipal, e a soltura de machos estéreis é complementar a esse trabalho, sem substituí-lo.
Por que a soltura precisa ser contínua?
Porque a esterilidade não é herdada e não se propaga na população: cada grupo liberado age enquanto seus indivíduos estão vivos, dentro das faixas de tempo de vida e de deslocamento descritas acima. A manutenção do efeito depende da repetição das solturas.
Ao mesmo tempo, a população selvagem se repõe. Os ovos de Aedes aegypti resistem à dessecação e permanecem viáveis por meses nas paredes dos recipientes secos, com viabilidade decrescente ao longo do tempo, eclodindo quando a água retorna; adultos vindos de áreas vizinhas, fora do perímetro de soltura, se deslocam para dentro da área tratada, e há ainda o transporte passivo de ovos e adultos em recipientes e veículos. O efeito de supressão depende da continuidade das solturas, em cadência, sobre toda a área definida. O objetivo técnico é a supressão local da população do vetor na área trabalhada; a técnica não promove a eliminação da espécie. Interrompidas as solturas, a população tende a se recompor ao patamar anterior. Por esse motivo o programa tem prazo mínimo de vinte e quatro meses consecutivos, conforme descrito na página O que fazemos.
Para o gestor público
Respostas às perguntas que aparecem nas conversas com secretarias de saúde, coordenações de vigilância e equipes técnicas.
Como o programa se integra à vigilância que já existe no município?
O programa é executado dentro da estrutura de vigilância do município e trabalha com os dados que ela já produz. A definição das áreas de intervenção parte dos indicadores locais: os levantamentos entomológicos (LIRAa/LIA), as séries dos índices de infestação predial e de Breteau e a notificação de casos. A coordenação de vigilância indica um ponto focal, participa da definição do desenho da operação e recebe os relatórios de monitoramento na cadência acordada.
As ações de campo que já existem seguem sob comando do município. A equipe do programa informa onde vai atuar e quando, para que as agendas não se sobreponham.
Quem opera o programa no território?
A operação é conduzida por uma equipe contratada no próprio município. A seleção é aberta na região, e as pessoas selecionadas passam por formação técnica em unidade em operação no Paraná, seguida de formação continuada já no território. As funções abrangem produção na biofábrica, operação de campo, instalação e leitura das armadilhas, identificação de espécie em laboratório e coordenação.
A supervisão técnica é da Forrest Mozzie do Brasil. Ao fim do ciclo, a formação técnica permanece no território.
O que o município precisa fornecer?
São três frentes.
Dados. Acesso aos levantamentos entomológicos, às séries dos índices de infestação e aos dados de notificação da área prevista, incluindo o histórico dos anos anteriores. Sem a série histórica não é possível estabelecer a linha de base nem escolher as áreas de referência.
Acesso. Autorização formal, por termo de anuência, para instalar e ler as armadilhas nos pontos definidos por critério técnico, inclusive em imóveis públicos, e apoio na interlocução com moradores e com o comércio nos pontos em imóvel particular.
Articulação. Um ponto focal na vigilância, a apresentação do programa às equipes de campo e à rede de atenção, e a participação do município nas ações de comunicação com a população. A definição do local da estrutura de produção é feita em conjunto com o município.
Como o resultado é medido, e quem mede?
O monitoramento entomológico é conduzido pela rede do programa: armadilhas em pontos fixos, leitura em cadência fixa e identificação do material coletado por espécie em laboratório. O que se acompanha é a densidade do vetor por armadilha, medida sempre pelo mesmo método. A linha de base é levantada antes do início das solturas, pelo mesmo método de coleta usado durante a operação, e a série é mantida ao longo de todo o programa e comparada com áreas de referência definidas no mesmo desenho.
Os dados de doença permanecem com o município e com o estado, nas bases oficiais de notificação. O programa não produz dado epidemiológico próprio e não substitui a fonte oficial. O monitoramento do programa também não substitui os levantamentos de índice larvário conduzidos pela vigilância, que seguem no calendário do município.
Os registros de campo e de laboratório ficam disponíveis para conferência pela vigilância, e o município pode indicar instituição de ensino ou pesquisa para acompanhar a medição. A evidência já publicada do método foi produzida com esse desenho, por comparação entre área tratada e áreas de referência.
Por que a duração mínima é de vinte e quatro meses consecutivos?
O método age sobre a reprodução do Aedes aegypti, geração após geração, e o efeito sobre a população do vetor depende da manutenção da operação no território. O intervalo entre gerações da espécie é de poucas semanas em condições favoráveis, os ovos resistem à dessecação e permanecem viáveis por meses nos recipientes, e há reinfestação a partir das áreas vizinhas. Cessada a pressão sobre a reprodução, a população tende a se recompor.
Vinte e quatro meses cobrem pelo menos duas temporadas completas de maior densidade do mosquito, em geral associadas ao período chuvoso, o que permite observar o comportamento da população dentro e fora desse período e, na comparação com as áreas de referência, distinguir o efeito do programa da variação sazonal. Períodos menores encerram a operação antes de completar esse ciclo de observação.
O que acontece se o programa for interrompido antes desse período?
A pressão sobre a reprodução cessa e a população do mosquito tende a voltar ao patamar anterior, no ritmo dado pela biologia da espécie: eclosão dos ovos que permanecem viáveis no ambiente e reinfestação a partir das áreas vizinhas. A série de medição perde a continuidade que permitiria atribuir ao programa a variação observada depois da parada.
Há também o efeito sobre a estrutura. A interrupção implica desmobilização da equipe formada e parada da produção, e a retomada exige novo período de instalação e nova formação. Por isso a duração mínima é apresentada como requisito técnico desde a primeira conversa.
O que o programa não faz?
O programa não substitui a vigilância municipal nem as ações de campo que o município já executa. A eliminação de criadouros, a visita domiciliar e o bloqueio de casos continuam sendo atribuição da vigilância, e o programa depende de que sigam acontecendo.
Não há aplicação de inseticida pelo programa, nem no ambiente nem nas casas. O que é liberado em campo são machos estéreis da própria espécie, que não picam. O método age pelo acasalamento entre machos e fêmeas de Aedes aegypti e não se destina ao controle de outras espécies de mosquito, que seguem sob as ações da vigilância.
O método produz supressão da população local do vetor. A espécie não é eliminada do território. O programa também não emite diagnóstico, não atende paciente e não projeta casos evitados nem economia para o município. Apresentamos como resultado o que foi medido no território e o que já está publicado.
Como começa a avaliação para um município?
A avaliação começa pela leitura conjunta dos dados. A equipe técnica analisa os levantamentos entomológicos, as séries dos índices de infestação e a notificação da área, verifica o que já é feito hoje e discute com a vigilância o desenho possível: área de cobertura, pontos de monitoramento, local da estrutura de produção e cronograma de implantação.
Essa etapa acontece antes de qualquer proposta formal. A forma de contratação é definida com o município, conforme o arranjo administrativo de cada território.
Vai substituir o agente de endemias?
Não. O programa entra junto com a vigilância que já existe e depende dela. A relação com os agentes é de parceria. Por isso existe uma frente social dedicada à formação e à realocação, conduzida pelo Instituto Lago.
Em quanto tempo aparece resultado?
O efeito aparece ao longo de uma série de medições, e depende da densidade inicial, do território e da continuidade da operação. Preferimos não dar prazo genérico: isso se define no desenho de cada área.
Como sei que funcionou?
Pela medição. A rede de armadilhas mede antes, durante e depois, e a comparação com áreas de referência é o que permite atribuir a redução ao programa e não à chuva, ao período do ano ou a outra ação em curso.
Para a imprensa
Sou jornalista. O que posso citar?
Os resultados publicados estão na página A evidência, com as referências completas. Para entrevista ou dados adicionais, o contato está na página de contato.
